AHP: "Turismo em Portugal continuará a crescer mas com um claro abrandamento" em 2026
A AHP - Associação da Hotelaria de Portugal acredita que o "turismo em Portugal continuará a crescer mas com um claro abrandamento" em 2026. Isso mesmo afirmou Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da associação, durante a apresentação do inquérito "Balanço Carnaval e Perspetivas Páscoa 2026", realizado entre 9 e 20 de março.
Assim, comparando com 2025, 38% dos inquiridos acreditam que a taxa de ocupação será melhor ou muito melhor este ano, sendo que 35% pensa que se irá manter igual ao ano passado e 27% apontam que será pior ou muito pior. Já no preço médio, 53% dos respondentes afirmaram que será melhor ou muito melhor, 31% que será igual e apenas 16% pensa que será pior ou muito pior. Por fim, nos que diz respeito aos proveitos totais, 46% dos inquiridos dizem que serão melhores ou muito melhores, e 24% que serão piores ou muito piores, com 26% convictos de que serão idênticos.
Em termos de principais mercados, para 78% dos associados que responderam ao inquérito da AHP afirmam que Portugal será o principal mercado em 2026, seguindo-se o Reino Unido para 46% dos inquiridos e os EUA para 41%, e só depois Alemanha (35%) e Espanha (33%).
Para 51% dos respondentes, os principais constrangimentos apontados este ano prendem-se com a capacidade aeroportuária enquanto que 49% identificam a instabilidade económica e geopolítica. Já para 37% as dificuldades passam ainda pelo aumento dos custos operacionais e 27% apontam o dedo à escassez de recursos humanos.
Em média, a confiança no turismo nacional, numa escala de 1 a 10, situa-se nos 7,4, com o Alentejo a apresentar-se como a única região a atingir os 8 pontos de confiança
Em média, a confiança no turismo nacional, numa escala de 1 a 10, situa-se nos 7,4, com o Alentejo a apresentar-se como a única região a atingir os 8 pontos de confiança, e ainda a Madeira (7,8) e o Algarve (7,7) a superarem a média nacional. Mas, na verdade, todas as regiões, excetuando o Oeste e Vale do Tejo, se situam acima dos 7.
Cristina Siza Vieira recordou aqui algumas más notícias para o setor turístico, começando desde logo por lembrar o aumento do preço do jet fuel e indicando que há também já notícias "muito preocupantes" por parte da ANA Aeroportos de Portugal no que diz respeito à nossa dependência geográfica e do transporte aéreo: "Passageiros cujo destino final seria o Médio Oriente e utilizariam o hub de Lisboa, e outros aeroportos europeus, cancelaram", e, por outro lado, diz, há já companhias aéreas com aviões em terra devido ao preço e à escassez do jet fuel. Basta recordar que a TAP já tinha anunciado a abertura de uma rota para Israel e, neste momento, terá de aguardar por novos desenvolvimentos.
Por outro lado, indicou a responsável da AHP, há também "oportunidades" mas Cristina Siza Vieira acredita que os desvios que estão a verificar-se ao nível do tráfego são "sol de pouca dura" pois "isto vai abrandar para todos". O que não significa, acrescenta, que este ano, sobretudo na época de verão, estes desvios não se efetuem.
Cristina Siza Vieira acredita que os desvios que estão a verificar-se ao nível do tráfego são "sol de pouca dura" pois "isto vai abrandar para todos"
Na verdade, "continuamos a acreditar que o turismo em Portugal para 2026 vai continuar a ter resultados positivos e a crescer", esclarece. E, seguindo o raciocínio do Banco de Portugal, que reviu em baixa o crescimento da economia nacional em 0,5 pontos percentuais para 1,8%, ainda numa rota de crescimento, a AHP prevê que, acrescentando aqui ainda os dados de janeiro deste ano, o país ainda possa ter um crescimento de 2,2% ao nível dos hóspedes, de 1,7% no que diz respeito às dormidas e de 3% em termos de receitas turísticas, na globalidade. Recorde-se que, no ano passado, estes valores de crescimento foram de 3% em hóspedes, 2,2% em dormidas e 5% em receitas.
Também aqui há diferenças ao nível das regiões, com Lisboa, por exemplo, a sofrer com os limites de capacidade aeroportuário e o crescimento da oferta hoteleira, que poderá conduzir a uma diminuição dos preços médios.
"Mas é nossa convicção que os destinos de resort este verão ainda possam ter vantagem relativamente a desvios de fluxos", resume Cristina Siza Vieira.
Contudo, há que contar com os fatores de instabilidade e de indefinição e manter a prudência, alerta.
A vice-presidente executiva da AHP lembra ainda que há outro sinal importante a ter em conta: o facto de viajar, nos dias de hoje, ser quase um direito fundamental. O que pode querer dizer que, embora com ajustes nos orçamentos e uma diminuição das estadias, "continuaremos a viajar, é um impulso vital da nossa Humanidade".
Outro elemento a ter em consideração é, no seu ponto de vista, a importância do mercado interno: "é uma questão de encontrarmos os momentos ideais para apostarmos neste mercado, fora de agosto e dos períodos de maior pressão turística".
Por Inês Gromicho