Canadá ganha peso estratégico no turismo europeu fora da época alta
O mercado canadiano está a afirmar-se como uma das principais oportunidades para o turismo europeu, sobretudo fora da época alta, de acordo com um novo estudo desenvolvido pela Data Appeal e pela Mabrian ("Canadian Travel to Europe:Demand, Perception and Connectivity"). A análise identifica este segmento como um público de elevado valor e com potencial estratégico para ajudar a equilibrar a procura ao longo do ano, em particular durante a chamada “shoulder season”, que inclui os meses de primavera e início do outono.
Segundo o relatório, os viajantes canadianos demonstram níveis de satisfação elevados e consistentes em vários destinos europeus, frequentemente acima da média global, o que reforça a relevância deste mercado de longo curso para o continente europeu. A perceção positiva é transversal a diferentes indicadores, incluindo experiência geral, restauração e hospitalidade, com destaque para o papel da gastronomia e do património cultural como principais motivadores da viagem.
Os dados mostram ainda que a procura canadiana apresenta picos fora da época alta tradicional. Entre setembro e outubro regista-se o maior volume de viagens, seguido de perto pelo período entre abril e maio, evidenciando uma clara oportunidade para os destinos europeus reduzirem a pressão nos meses de verão e promoverem uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos ao longo do ano.
No que diz respeito ao perfil do viajante, predominam casais e famílias, com forte interesse por experiências culturais, monumentos icónicos e gastronomia local. O estudo indica também que os turistas canadianos tendem a privilegiar itinerários mais clássicos e menos alternativos, concentrando-se em destinos consolidados como França, Itália, Alemanha ou Espanha.
Apesar do elevado grau de satisfação, o relatório identifica alguns pontos de melhoria, nomeadamente a perceção de custos elevados, bem como questões relacionadas com tempos de espera, processos de check-in e qualidade de infraestruturas como Wi-Fi e acessibilidade.
O estudo sublinha ainda que o Canadá não deve ser encarado como um mercado homogéneo, existindo diferenças relevantes entre viajantes anglófonos e francófonos, tanto ao nível das preferências como da perceção dos destinos.