Congresso ADHP: “ A hotelaria portuguesa atingiu um nível de sofisticação que exige lideranças altamente qualificadas”
O XXII Congresso da ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal) arrancou esta quinta-feira, 5 de março, em Elvas, com a intervenção do Presidente da entidade, Fernando Garrido, que realçou, desde logo, o regresso do evento a território alentejano, e a boa performance do turismo nacional em 2025: “de acordo com os dados do Travel BI, no ano transato ultrapassámos as 82 milhões de dormidas, o que representa um crescimento 2,2% face a 2024, com mais de sete mil milhões de proveitos globais. O turismo continua assim a superar, ano após ano, os melhores resultados de sempre”.

E “para garantir a continuidade deste desempenho, é necessário pensar o setor de forma estratégica. Neste ponto, a ADHP gostaria de chamar a atenção para aqueles que diariamente fazem a diferença: os profissionais da hotelaria, e em particular os diretores de hotel, líderes das equipas que asseguram a qualidade do serviço”, avançou Fernando Garrido, mencionando que “A hotelaria portuguesa atingiu um nível de sofisticação que exige lideranças altamente qualificadas”.
“O diretor de hotel deixou de ser apenas um gestor operacional, assumindo hoje a responsabilidade por equipas multidisciplinares e por uma gestão cada vez mais exigente”, acrescentou.
O Presidente da ADHP refletiu também sobre a esperada entrada em vigor do RJET, “um passo há muito esperado que permitirá reforçar o enquadramento e o reconhecimento das profissões do setor, em especial da função de diretor de hotel”.
“Contudo, face à constante evolução da atividade, importa garantir que, no momento da sua implementação, este enquadramento responda de forma atual às exigências do setor”, realçou Fernando Garrido.
No seu discurso, o responsável chamou igualmente a atenção para outras questões que preocupam os profissionais do setor, essencialmente as infraestruturas estratégicas para o turismo, como o novo aeroporto de Lisboa e ferrovia de alta velocidade: “é irreal esperarmos que os resultados do turismo continuem a crescer exponencialmente, como nos últimos anos, quando os principais acessos ao nosso país estão esgotados, apesar de continuarmos a crescer a nossa oferta. Não podemos continuar a perder tempo e aguardar pelas soluções que nunca se concretizam”, frisou.
Outras preocupações realçadas pelo Presidente foram a ideia de turistificação e o atual contexto geopolítico internacional, em particular com a mais recente crise no Médio Oriente: “o nosso setor é dos mais sensíveis à instabilidade internacional e começam já a antever impactos relevantes, tanto ao nível dos custos operacionais como na evolução dos mercados e dos fluxos turísticos. Ainda assim, é cedo para avaliações definitivas, uma vez que os dados disponíveis são ainda limitados”.
”Algumas unidades hoteleiras começam a registar cancelamentos ou adiamentos de reservas individuais e de grupos, enquanto surgem consultas para a realocação de eventos inicialmente previstos para destinos que estão agora diretamente afetados por esta crise”, observou ainda Fernando Garrido.
“Os diretores de hotel continuarão a acompanhar esta situação com atenção, assegurando, como sempre, a resiliência e a capacidade de adaptação que caracterizam o setor”, concluiu o responsável, destacando, por fim, os temas do Congresso para dar respostas neste sentido.
Por Diana Fonseca, em Elvas