Crescimento da capacidade aeroportuária na Europa pode atingir 60% e impulsionar turismo e investimento imobiliário
A capacidade aeroportuária na Europa deverá crescer até 60% nas próximas décadas, impulsionando o turismo e abrindo novas oportunidades de investimento imobiliário, segundo um estudo divulgado pela Colliers.
O relatório, que analisa a região da Europa, Médio Oriente e África, indica que o aumento da infraestrutura aeroportuária será um dos principais motores do crescimento do turismo. Em 2025, os aeroportos europeus atingiram um recorde de 2,6 mil milhões de passageiros, consolidando a recuperação após a pandemia. As previsões apontam para um crescimento médio anual de 4% no tráfego aéreo até 2034.
Para responder à procura crescente, os principais hubs europeus estão a avançar com projetos de grande escala. No conjunto, os dez maiores aeroportos da Europa deverão aumentar a sua capacidade em cerca de 60% nos próximos 25 anos, o equivalente a mais 380 milhões de passageiros.
Entre os projetos em destaque estão a expansão do aeroporto de Heathrow, em Londres, que poderá atingir 150 milhões de passageiros por ano até 2035, o crescimento do aeroporto de Istambul até 200 milhões de passageiros até 2028 e a modernização dos aeroportos de Paris, com o objetivo de duplicar a capacidade.
Espanha também assume um papel relevante, com um plano de investimento de 13 mil milhões de euros liderado pela Aena, abrangendo cidades como Madrid, Barcelona, Málaga, Alicante e Valência.
Portugal reforça posição no turismo
O estudo destaca Portugal como um dos países em evidência neste processo. O aeroporto de Lisboa já ultrapassou os níveis pré-pandemia, tendo registado mais de 35 milhões de passageiros em 2024, enfrentando atualmente limitações de capacidade.
Como resposta, está prevista a construção do novo aeroporto Luís de Camões, cujo arranque deverá ocorrer entre 2029 e 2030. A nova infraestrutura pretende responder ao crescimento da procura turística e reforçar o posicionamento de Lisboa como um hub estratégico no sul da Europa, com ligações reforçadas à América e à Ásia-Pacífico.
Turismo europeu mantém liderança
Apesar da crescente globalização, o turismo intraeuropeu deverá continuar dominante, representando cerca de 77% das chegadas já em 2026. Ainda assim, o maior crescimento será impulsionado por mercados de longo curso, sobretudo da Ásia-Pacífico.
O estudo prevê um aumento anual de 7% nas chegadas provenientes dessa região até 2034, acompanhado pela expansão da classe média, nomeadamente na China e na Índia, o que deverá elevar o gasto turístico e diversificar o perfil dos visitantes.
Impacto no imobiliário
O aumento do tráfego aéreo terá efeitos diretos no setor imobiliário, especialmente na hotelaria, no retalho e no lazer. A procura por alojamento deverá crescer, exigindo maior diversidade de oferta, enquanto o consumo associado ao turismo poderá aumentar entre 4% e 5% ao ano nos mercados europeus.
Nos aeroportos, as receitas não aeronáuticas — como comércio e restauração — já representam mais de metade do total em vários países, tendência que deverá intensificar-se.
A expansão aeroportuária está também a alterar o mapa do investimento, com cidades secundárias como Praga, Budapeste e Cracóvia a ganhar destaque junto de investidores, beneficiando do aumento de rotas e da maior conectividade aérea.
Apesar das perspetivas positivas, o relatório alerta para riscos como a instabilidade geopolítica, atrasos na produção de aeronaves e a volatilidade das estratégias das companhias aéreas, fatores que poderão influenciar a evolução do setor.
Ainda assim, a Colliers conclui que o crescimento do tráfego aéreo, aliado à expansão das infraestruturas, marca o início de um novo ciclo estrutural para o turismo europeu, no qual Portugal deverá desempenhar um papel relevante.