30 de Abril de 2026, Olá!

Fundação Inatel (I): “A nossa rede hoteleira distingue-se por ser referência no turismo para todos, inclusivo e acessível”

Fundação Inatel (I): “A nossa rede hoteleira distingue-se por ser referência no turismo para todos, inclusivo e acessível”
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A Fundação Inatel é uma das instituições mais históricas do turismo português, mas também uma das que mais tem evoluído para responder aos desafios contemporâneos do setor. Nesta primeira parte da entrevista a José Manuel da Costa Soares, o responsável traça o posicionamento atual da entidade, sublinhando a sua missão social e a ambição de afirmar um modelo de turismo inclusivo, acessível e sustentável. Entre o equilíbrio entre preços sociais e lógica de mercado, a valorização do território e a aposta em experiências com dimensão cultural, o presidente da Inatel explica como a instituição procura manter a sua relevância junto de diferentes gerações e públicos, contrariando perceções do passado e reforçando a ideia de que o turismo pode — e deve — ser para todos.

A Fundação Inatel tem presença histórica em Portugal, mas nem sempre é totalmente compreendida por determinados públicos, até porque, em alguns meios, pode haver ainda a perceção de que é “só para idosos, só para sócios e só para pessoas carenciadas”. Tem sublinhado, parafraseando o Papa Francisco, que “a Fundação Inatel é para todos, todos, todos”. Como define hoje a missão da Inatel e que relevância tem no ecossistema do turismo nacional?

A vertente social foi a génese da Fundação Inatel, para proporcionar lazer aos trabalhadores e seus familiares, e continua a ser o ADN da nossa missão. Mas para cumprirmos a nossa missão social, precisamos de maior dinâmica comercial que permita uma maior ocupação das nossas unidades hoteleiras e mais participantes nas nossas viagens. O objetivo é encontrar um balanço entre ação social e dinâmica comercial, pelo que temos preços sociais para determinados programas turísticos e preços de mercado para outros.

O que distingue a Inatel de outros operadores de hotelaria e viagens?

Nas viagens, somos um dos operadores turísticos mais antigos em Portugal (desde 1935) com um volume de viagens anuais significativo, o que nos permite ter uma curva de experiência elevada, contando com uma equipa sénior. Acreditamos, também, num turismo humanista, em prol do enriquecimento cultural dos participantes e do desenvolvimento dos territórios. É por isso que criamos viagens para vários destinos nacionais e internacionais, procurando explorar regiões do interior menos turísticas. Quando comparados com outras ofertas existentes no mercado, os hotéis da Fundação Inatel têm como missão explícita a promoção do bem-estar, lazer e inclusão social para pessoas de todas as idades. Orienta a sua oferta no sentido de proporcionar experiências acessíveis e inesquecíveis, para todos os segmentos, mas privilegiando aqueles que, normalmente, têm menor acesso ao turismo. A rentabilização dos nossos produtos é uma prioridade, mas não é a única, porque temos uma missão social a cumprir.

É também por isso que, ao nível dos seus clientes, os nossos hotéis se distinguem. Embora estejamos direcionados e preparados para receber todos os segmentos de mercado, a principal fatia dos nossos clientes individuais corresponde aos associados da Inatel, o que lhes dá acesso a vantagens não apenas em hotelaria, mas também em viagens, cultura e outros serviços da Fundação, criando-se desta forma uma relação de fidelização diferente de outros modelos comerciais.

A Inatel tem uma rede vasta e diversificada de unidades hoteleiras, de norte a sul do país e Porto Santo, com foco em diferentes experiências (praia, natureza, montanha, termas e bem-estar). Essa presença territorial ampla e integrada permite ofertas mais variadas e adaptadas às características locais, com ênfase na gastronomia e cultura regional e oferta de experiências que vão além do mero alojamento, destacando a identidade local.

em linha com integração da sustentabilidade na estratégia da Fundação, 10 dos nossos hotéis já têm a certificação da Green Key, o operador de turismo foi distinguido pela Travelife, com o prémio Travelife Partner, e, ainda, fazemos parte do programa Empresas Turismo 360º do Turismo de Portugal

Atualmente, a sustentabilidade é uma exigência transversal no turismo. Como é que a Inatel integra a sustentabilidade ambiental, social e económica na sua estratégia?

A Fundação Inatel está empenhada em reduzir os impactos negativos para o ambiente associados à sua atividade e em procurar gerar ações positivas que conduzam a uma presença mais responsável e mais sustentável nos territórios, reforçando, progressivamente, a sua eficiência energética e hídrica, ajustando o consumo às suas necessidades, apostando na economia circular e na gestão responsável dos resíduos que produz.

A esta dimensão ambiental associa-se a importância de criar mais valor económico, integrando os princípios da sustentabilidade na sua gestão, desde a definição dos seus produtos e serviços até à sua disponibilização ao público. Procura ser mais eficiente através da criação de sinergias internas entre as várias áreas de atuação, mas também externas, apostando na cooperação com outras entidades parceiras.

Finalmente, no domínio social, a Inatel desenvolve a sua atividade junto dos diversos públicos, centrada em valores éticos, justiça e coesão social, fomentando, internamente, a igualdade de oportunidades e tratamento para os seus trabalhadores, uma remuneração justa e o acesso à formação e desenvolvimento pessoal e profissional.

Precisamente em linha com integração da sustentabilidade na estratégia da Fundação, 10 dos nossos hotéis já têm a certificação da Green Key, o operador de turismo foi distinguido pela Travelife, com o prémio Travelife Partner, e, ainda, fazemos parte do programa Empresas Turismo 360º do Turismo de Portugal, o que revela o compromisso da Fundação Inatel no desenvolvimento de boas práticas neste domínio.

Quais os exemplos concretos de práticas sustentáveis implementadas ou que estejam em curso nas unidades hoteleiras da Fundação Inatel?

A nossa rede hoteleira promove a redução do consumo de energia e água com sistemas de monitorização e equipamentos eficientes de iluminação de baixo consumo (LED e sensores de movimento), controlo inteligente de climatização, dispositivos economizadores nas torneiras, chuveiros e instalações sanitárias, triagem e gestão de resíduos para reciclagem, incentivo à lavagem eficiente de roupa e sensibilização dos hóspedes para práticas sustentáveis. Em suma, a Inatel não só cumpre normas de sustentabilidade, como também implementa ativamente medidas de eficiência de recursos, gestão de resíduos, apoio social ligado ao combate ao desperdício e certificações reconhecidas internacionalmente. Para além de promover educação ambiental e integração das comunidades locais.

A rede hoteleira da Inatel tem características muito próprias. Qual é hoje o posicionamento da hotelaria Inatel no mercado turístico português?

A nossa rede hoteleira distingue-se desde logo por ser uma referência no turismo para todos, inclusivo e acessível, através da sua rede diversificada de hotéis, sempre com foco territorial, contribuindo sobretudo para o desenvolvimento regional, através da oferta de experiências nacionais, acessíveis, com ênfase cultural, comunitária e familiar, o que a direciona para clientes que valorizam autenticidade e conexão com o território. Em suma, o posicionamento da hotelaria Inatel em Portugal pode ser descrito como acessível, com foco nacional, através de uma oferta territorial ampla e diversificada, o que contribui para a fidelização de clientes que privilegiam valores sociais, compromisso com ética, inclusão e sustentabilidade.

Estão previstos investimentos na modernização, requalificação ou reposicionamento das unidades hoteleiras?

O nosso foco está sobretudo na modernização e no investimento em alguns dos nossos ativos, não tanto no reposicionamento da nossa oferta. Exemplo disso são os investimentos de maior volume financeiro, em curso ou previstos, como são os casos no Inatel de Oeiras, Inatel Entre-os-Rios, Inatel Luso e Inatel Santa Maria da Feira. Também estamos a considerar outro tipo de requalificações, que, embora de menor exigência financeira, são cruciais para manter a nossa oferta preparada para as atuais exigências dos clientes. Estes esforços refletem uma estratégia que combina manutenção da identidade e missão social da Fundação, com a necessidade de manter a sua oferta competitiva, relevante e atualizada no mercado turístico português.

O nosso foco está sobretudo na modernização e no investimento em alguns dos nossos ativos, não tanto no reposicionamento da nossa oferta.

Como equilibrar acessibilidade de preços, qualidade do serviço e sustentabilidade financeira?

O equilíbrio entre preços acessíveis, qualidade de serviço e sustentabilidade financeira não resulta de uma única medida, mas de um modelo integrado. Uma boa relação qualidade/preço, em conjunto com algum conforto funcional, recursos humanos que privilegiam a proximidade e experiências autênticas, permitem o foco no que o cliente realmente valoriza: quartos confortáveis, limpeza, alimentação de qualidade e acolhimento. Preços acessíveis não significam apenas e só preço baixo, mas sim uma oferta equilibrada e justa no que ao valor a pagar diz respeito. Desta forma, com preços equilibrados na sua relação com a qualidade oferecida e com o restante mercado, conseguimos ocupações anuais suficientes para mantermos o necessário equilíbrio financeiro das nossas operações hoteleiras.

A Inatel procura captar novos segmentos de mercado, nomeadamente turismo internacional, sénior ou de experiências?

A captação de novos segmentos de mercado é fundamental para a Fundação Inatel enquanto motor de uma dinâmica comercial necessária. Em termos internacionais, temos relações fortes com organizações congéneres, nomeadamente dentro da rede da Organização Internacional de Turismo Social (ISTO), que reúne membros que comungam os mesmos ideais sobre as boas práticas de turismo (um turismo sustentável para todos). Estabelecemos, também, parcerias comerciais com operadores que trabalham diferentes segmentos e motivações, desde o turismo sénior, ao turismo acessível, de natureza e cultura, entre outros.

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Por Inês Gromicho, publicada na edição 357 da Ambitur.