Fundação Inatel (II): “As pessoas estarão sempre em primeiro lugar e no centro de todos os nossos programas”
Na segunda parte da entrevista, José Manuel da Costa Soares aprofunda o papel estratégico da área de viagens na Fundação Inatel, destacando-a como um dos pilares da missão da instituição. Entre a diversificação da oferta turística, a aposta em produtos com forte componente cultural e de bem-estar e o reforço da presença no mercado enquanto operador, o presidente da Fundação Inatel traça o caminho de crescimento deste segmento. A conversa aborda ainda os desafios da inovação e da digitalização, a importância do capital humano e a visão para o futuro da Fundação, num equilíbrio entre tradição, adaptação e propósito social.

A área de viagens ganha novo fôlego dentro da Fundação. Que papel estratégico atribui a este segmento?
A área de viagens sempre foi uma área estratégica para a Fundação Inatel, uma vez que ela cumpre um triplo papel. Permite experiências diversificadas aos clientes, proporcionando o seu enriquecimento cultural e bem-estar, criando produtos de turismo de natureza, turismo na aldeia, saúde e bem-estar, entre outros, em Portugal e no estrangeiro. Contribui, também, para o desenvolvimento dos territórios, fortalecendo a rede de parceiros locais e regiões menos turísticas. Por último, potencia a ocupação das nossas unidades hoteleiras, criando produtos direcionados para elas.
Uma das estratégias que queremos implementar no operador turístico é alargar a nossa rede de distribuição de viagens a localidades onde não temos delegações, procurando chegar a novos públicos e assumindo assim a Inatel Turismo – o papel de um verdadeiro tour operador no mercado da distribuição.
Que tipo de produtos turísticos quer desenvolver a Inatel: circuitos culturais, turismo de natureza, viagens internacionais, experiências temáticas?
O nosso operador turístico já conta com uma panóplia muito diversificada de programas turísticos, mas queremos apostar com mais força no turismo de natureza, nas viagens de Descoberta e Partilha (viagens de descoberta cultural em que se pretende um envolvimento com as comunidades e associações locais em aldeias), e nas viagens de Saúde e Bem-Estar, porque acreditamos que são produtos onde a Fundação Inatel pode fazer a diferença, dada a nossa amplitude de infraestruturas turísticas, localizados em lugares únicos e memoráveis, desde hotéis a balneários termais. As experiências temáticas já existem em grande diversidade, em todas as nossas unidades hoteleiras, mas naturalmente são produtos que temos de estar sempre a melhorar e a testar.
Também a promoção da intergeracionalidade é uma aposta. Já disponibilizamos um produto para férias escolares em família: o Programa Origens.
Uma das estratégias que queremos implementar no operador turístico é alargar a nossa rede de distribuição de viagens a localidades onde não temos delegações, procurando chegar a novos públicos e assumindo assim a Inatel Turismo – o papel de um verdadeiro tour operador no mercado da distribuição.
De que forma os operadores, destinos e as entidades regionais podem colaborar com a Inatel neste domínio?
A nossa equipa de turismo (hotéis e viagens) está sempre disponível para acolher propostas de novas parcerias, operadores, associações, etc., bastando para o efeito enviar um e-mail de apresentação e/ou solicitar uma reunião. Em termos de Destinos e Entidades Regionais, em articulação com os diretores das nossas delegações, temos procurado responder sempre positivamente aos desafios que nos colocam, para visitas ao território e descoberta de novos produtos/programas turísticos.
A definição de produtos turísticos estratégicos para um destino ou uma determinada região pode sempre contar com a colaboração da Inatel, cujo contributo será, certamente, enriquecedor, considerando a experiência de 90 anos a realizar viagens e a prestar serviços de hotelaria.
Como está a Fundação a preparar-se internamente para os desafios do futuro (digitalização, recursos humanos, inovação)?
A Fundação Inatel, ao longo dos seus 90 anos, sempre soube encontrar soluções para os mais diversos desafios de cada contexto histórico. Mostrou sempre capacidade de adaptação e resiliência. Os desafios tecnológicos que refere são já o Presente no nosso trabalho quotidiano. Usamos um conjunto de meios e plataformas para desenvolver a nossa missão – e a formação dos nossos recursos humanos nesta área é estratégica. Neste momento estamos atentos ao impacto da Inteligência Artificial como um desafio à inovação transversal dos nossos serviços. A área do Turismo é paradigmática, no que respeita às oportunidades da sua utilização. É o exemplo da automatização e tratamento de reservas ou, mesmo, na criação de conteúdos. Tudo isto sem esquecer o foco que nos diferencia: a humanização do nosso atendimento e a preocupação pelo afeto das nossas propostas. As tecnologias serão sempre ferramentas essenciais, mas complementares ao serviço humanizado dos nossos serviços. As pessoas estarão sempre em primeiro lugar e no centro de todos os nossos programas.
Neste momento estamos atentos ao impacto da Inteligência Artificial como um desafio à inovação transversal dos nossos serviços.
Onde gostaria de ver a Fundação Inatel posicionada dentro de 10 anos?
Dentro de 10 anos a Fundação Inatel estará a celebrar o seu centenário. A sua missão tem marcado lugar de destaque na história do nosso país. Estou certo de que o seu posicionamento continuará a ser central, através da apresentação de propostas com o selo de qualidade e solidariedade que é a sua 'marca de água'. Mas até lá é preciso continuar a trabalhar com determinação. E para isso contamos com a dedicação e empenho dos nossos trabalhadores, profissionais de excelência, aos quais queremos proporcionar as melhores condições para a realização das suas funções.
O que o motivou a aceitar a liderança da Fundação Inatel?
Antes do convite para liderar a Fundação Inatel, tive o privilégio de integrar, como vice-presidente, o conselho de administração do triénio 2012-2015. Foram anos de grandes dificuldades financeiras e restrições orçamentais significativas. Contudo, mesmo nesse contexto económico complexo, foi possível desenvolver projetos excecionais que marcaram indelevelmente a nossa já longa história. Foi possível contribuir para a concretização de muitos programas e atividades, mas, sobretudo, constatei a dimensão desta fantástica organização. O valor da sua história, a sua implementação capilar em todo o território nacional – continente e ilhas, a diversidade da riqueza dos seus associados – individuais e coletivos, a experiência única dos seus recursos humanos e, sobretudo, a capacidade de concretizar sonhos que se tornam realidade quando melhoram, de facto, a vida das pessoas. Quando recebi o convite, pensei duas vezes. Uma sobre o privilégio do desafio que me estavam a proporcionar; outra, para ousar responder positivamente, com o sonho de concretizar muitos projetos de potencial transformador, na linha do que melhor se tem feito nesta instituição.
Que valores pessoais traz para esta função?
Acredito que a “humanidade” das instituições é o seu maior potencial. Os valores que norteiam quem dirige e, também, o valor da estrutura humana de que são feitas as organizações são essenciais para o sucesso. A humanidade, a competência e a ética são valores determinantes para o êxito do nosso projeto.
Na minha primeira experiência na Fundação, percebi, com clareza, o potencial humano desta organização, os seus trabalhadores. A nobreza da nossa missão só se concretiza se formos orientados por valores superiores. A falta destes valores pode matar a mais nobre das missões.
Enquanto responsável primeiro desta organização, quero priorizar o bem-estar das pessoas que aqui trabalham. As pessoas estão primeiro e só assim poderemos dar respostas com qualidade nos serviços que prestamos à comunidade e responder com a exigência que o tempo nos coloca.
Por Inês Gromicho, publicada na edição 357 da Ambitur.
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