30 de Abril de 2026, Olá!

IPDT: Turismo em Portugal deverá consolidar máximos históricos em 2026

IPDT: Turismo em Portugal deverá consolidar máximos históricos em 2026
ipdt

O turismo em Portugal deverá manter-se em níveis historicamente elevados em 2026, entrando numa fase de crescimento mais moderado e sustentado, segundo as projeções do IPDT - Tourism Intelligence, divulgadas no Anuário de Tendências 2026.

De acordo com o Barómetro do setor, o país poderá receber entre 31,1 e 34 milhões de hóspedes no próximo ano, após os 31,6 milhões registados em 2024 e os 32,5 milhões estimados para 2025. No mesmo sentido, o número de dormidas deverá situar-se entre 80,1 e 83 milhões, consolidando os valores recorde alcançados nos últimos anos.

Também os proveitos globais deverão manter-se em patamares elevados, entre 6,6 e 7 mil milhões de euros, refletindo não apenas o volume de procura, mas também a valorização contínua da oferta turística nacional.

Para Jorge Costa, presidente do IPDT, “2026 deverá marcar uma fase de consolidação, com crescimento mais moderado”, num contexto em que o turismo reforça o seu papel estratégico na economia portuguesa. Atualmente, o setor representa mais de 10% do Produto Interno Bruto, com receitas próximas dos 30 mil milhões de euros e um saldo da balança turística acima dos 20 mil milhões.

Entre os principais fatores de competitividade do destino Portugal destacam-se a segurança, estabilidade política e confiança económica, apontadas por 75% dos especialistas inquiridos. Seguem-se a imagem positiva do país (68%) e a qualidade e diversidade da oferta turística (66%). A conectividade e eficiência operacional surgem também como elementos relevantes para sustentar o crescimento.

Apesar do cenário positivo, persistem desafios estruturais. As acessibilidades e a mobilidade, nomeadamente a capacidade aeroportuária, são apontadas como o principal constrangimento por 48% dos inquiridos. A escassez de recursos humanos qualificados (45%) e a instabilidade económica internacional (43%) são outras preocupações destacadas, a par da crescente pressão turística em determinados destinos.

Perante este enquadramento, as prioridades estratégicas para 2026 passam pela requalificação e diversificação da oferta turística, pela melhoria das infraestruturas e pela valorização dos recursos humanos, com vista a garantir um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.

O relatório identifica ainda 10 tendências de viagem que deverão marcar o próximo ano, entre as quais o foco no autocuidado, a procura de experiências autênticas, o turismo literário, o regresso a destinos já visitados e o uso crescente da inteligência artificial para personalizar experiências.

Num exercício prospetivo, o IPDT - Tourism Intelligence desafia ainda o setor a refletir sobre um cenário sem turismo, alertando para impactos económicos e sociais significativos. Como resposta, propõe o conceito de “Turismo de Coexistência”, assente no equilíbrio entre visitantes, comunidades e território.

Atualmente, o turismo em Portugal emprega cerca de 339 mil pessoas, representando 6,5% do emprego nacional, e integra mais de 51 mil empresas, reforçando o seu peso estrutural na economia e na sociedade.