Luís Monteiro (AWS): “O futuro da procura de viagens vai ser uma conversa, e não uma search box”
A forma como os viajantes pesquisam e reservam viagens está prestes a sofrer uma transformação profunda. Este foi um dos temas abordados na V Conferência Smart & Green Tourism, organizada pela Ambitur e Ambiente Magazine, que teve lugar na BTL, no dia 27 de fevereiro.

De acordo com Luís Monteiro, responsável na Amazon Web Services (AWS) pelas áreas de Travel, Aerospace e Hospitality na região EMEA, e o primeiro Keynote Speaker desta Conferência, a inteligência artificial conversacional vai alterar radicalmente o modelo tradicional de pesquisa no turismo.
Durante décadas, a pesquisa de viagens baseou-se num modelo relativamente simples: o utilizador introduz um destino, datas e outros parâmetros numa caixa de pesquisa e recebe uma lista de resultados. Mas esse modelo poderá desaparecer gradualmente.
“O futuro da procura de viagens vai ser uma conversa, e não uma search box com origem, destino e datas”, afirmou. Em vez de escrever algo como “voos para Lisboa”, o viajante poderá simplesmente descrever aquilo que procura.
“Hoje um cliente pode dizer: gostava de ir com a minha mulher num fim-de-semana destes, num destino quente mas não demasiado, onde possa beber um gin tónico ao pôr do sol”, exemplificou. Esse tipo de interação fornece muito mais informação sobre as preferências do viajante do que uma pesquisa tradicional.
“Quando alguém pesquisa ‘voos para Lisboa’, nós só sabemos que quer voar para Lisboa. Numa conversa, o cliente deixa muitos mais sinais de intenção.” Com base nesses sinais, sistemas de inteligência artificial conseguem analisar rapidamente milhares de opções e construir sugestões altamente personalizadas.
Para além disso, esta tecnologia poderá reduzir significativamente o fenómeno de sobrecarga cognitiva que muitos consumidores enfrentam ao planear viagens.
“Hoje podemos conversar com os dados e utilizá-los em tempo real ao longo de toda a jornada do cliente.”
Segundo Luís Monteiro, as empresas que conseguirem integrar esta visão orientada por dados terão maior capacidade para melhorar indicadores fundamentais como o valor do cliente ao longo do tempo, a taxa de repetição de compra ou o retorno sobre o capital investido.
Por Inês Gromicho e Pedro Chenrim. Fotos de Raquel Wise/Ambitur.
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