Luís Monteiro (AWS): “O futuro não é a tecnologia substituir os humanos, é libertá-los para terem mais impacto”
A inteligência artificial tornou-se um dos temas centrais na transformação da indústria do turismo, mas continua a ser frequentemente vista como uma tecnologia complexa ou distante da realidade das empresas. Este foi um dos temas abordados na V Conferência Smart & Green Tourism, organizada pela Ambitur e Ambiente Magazine, que teve lugar na BTL, no dia 27 de fevereiro.
Para L

uís Monteiro, responsável na Amazon Web Services (AWS) pelas áreas de Travel, Aerospace e Hospitality na região EMEA, e o primeiro Keynote Speaker desta Conferência, o primeiro passo é precisamente desmistificar o conceito. “Eu passo a minha vida a falar com executivos das várias empresas na Europa, Médio Oriente e África sobre as preocupações que têm no negócio e sobre aquilo que a tecnologia pode ajudar a resolver no dia-a-dia”, explicou durante a sua intervenção.
Segundo o responsável, a inteligência artificial não é uma tecnologia nova na Amazon. Pelo contrário, faz parte do ADN da empresa há décadas. “Na Amazon utilizamos inteligência artificial há mais de 25 anos”, afirmou. “Se olharmos para o Prime Video, para a Amazon Music, para a Alexa ou para os robôs que gerem os armazéns, todos dependem de inteligência artificial.”
Ao longo dos últimos anos, a evolução desta tecnologia passou por diferentes fases. Inicialmente, os sistemas eram utilizados sobretudo para identificar padrões complexos em grandes volumes de dados através de técnicas de machine learning. Mais tarde, a inteligência artificial tornou-se também capaz de fazer previsões, analisando esses padrões para antecipar comportamentos ou tendências. “A seguir tivemos a Generative AI, que consegue produzir conteúdo inteligente com base nas análises que foram feitas aos dados”, explicou.
Agora, a indústria está a entrar numa nova etapa, baseada em agentes inteligentes. “Estamos a entrar na fase da Agentic AI, em que agentes não só analisam dados e produzem conteúdo, mas também automatizam ações e processos.”
Apesar de toda esta evolução tecnológica, Luís Monteiro rejeita a ideia de que a inteligência artificial irá substituir os profissionais do setor. “O futuro não é a tecnologia substituir os humanos”, afirmou. “O futuro é a tecnologia libertar os humanos para serem aumentados e conseguirem produzir muito mais.”
Para o responsável da AWS, as empresas que souberem integrar estas ferramentas ao longo da jornada do cliente terão uma vantagem significativa na competitividade do setor.
Por Inês Gromicho e Pedro Chenrim. Foto Raquel Wise/Ambitur