Phocuswright: Viagens na Ásia-Pacífico entram numa nova fase com mudanças estruturais a redesenhar o setor
A indústria das viagens na Ásia-Pacífico está a entrar numa nova fase de transformação profunda, marcada por mudanças estruturais que estão a alterar a procura, a mobilidade e a dinâmica competitiva na região. A conclusão é de um novo relatório da Phocuswright, divulgado na passada semana.
De acordo com o estudo "A Market Rewired: Ten Structural Shifts Redefining Asia Pacific Travel", trata-se do mais significativo realinhamento do setor em mais de uma década. Fatores como a divergência demográfica, a crescente tensão geopolítica, novos padrões de mobilidade e a evolução das infraestruturas financeiras estão a redefinir onde e como se gera procura.
Uma das principais conclusões aponta para uma fragmentação crescente da região. Mercados jovens e em expansão, como a Índia, a Indonésia e a Malásia, estão a entrar numa fase de forte consumo, enquanto economias mais envelhecidas, como o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan, enfrentam um declínio populacional estrutural. O resultado, segundo o relatório, é a coexistência de “múltiplos futuros demográficos” numa mesma região.
Num contexto de maior fragmentação da atenção dos consumidores e aumento dos custos de aquisição, as empresas do setor estão a apostar cada vez mais em parcerias estratégicas. Estas deixam de ser complementares para se tornarem centrais na estratégia de crescimento. Em vez de competir apenas em preço ou oferta, as marcas procuram ganhar relevância no quotidiano dos consumidores através da integração com plataformas de comércio eletrónico, super apps, operadores de telecomunicações e sistemas de pagamento.
A geopolítica surge também como um fator cada vez mais determinante. Tensões fronteiriças entre Camboja e Tailândia provocaram uma quebra significativa no turismo internacional para o Camboja no final de 2025, enquanto o Japão poderá registar uma diminuição de visitantes em 2026, influenciada pelo abrandamento da procura chinesa.
Ao mesmo tempo, os padrões de mobilidade estão a evoluir, com o transporte ferroviário a ganhar peso. A quota do comboio nas reservas de viagens na região deverá aumentar até 2028, impulsionada por novas ligações internacionais e pela integração com o transporte aéreo.
Outro destaque vai para o crescimento contínuo do alojamento local de curta duração, que deverá representar um quarto das reservas de alojamento na região até 2028.
“O mais relevante é que muitas destas tendências já são visíveis nas decisões diárias dos viajantes, mesmo que nem sempre sejam reconhecidas como tal”, afirma Pete Comeau. “As empresas que melhor compreenderem estas mudanças e ajustarem as suas estratégias atempadamente serão as que terão vantagem competitiva.”
O relatório identifica ainda um forte crescimento do interesse nas ligações aéreas entre Índia e China após a retoma de voos diretos, bem como o papel crescente da fintech como infraestrutura essencial no setor das viagens. Em paralelo, destinos como Vietname, Japão e Ásia Central estão a ganhar destaque, enquanto outros, como Tailândia e Camboja, enfrentam desafios.
As conclusões do estudo serão debatidas na conferência Phocuswright Europe 2026, que decorre em Barcelona entre 15 e 17 de junho, reunindo líderes globais para discutir o futuro da indústria.