Procura de cruzeiros cresce em Portugal e gera impacto de 940 milhões de euros
O setor dos cruzeiros em Portugal registou um crescimento de 7,3% em 2025, com cerca de 80 mil portugueses a optarem por este tipo de férias, segundo dados divulgados pela CLIA - Cruise Lines International Association. A tendência acompanha a evolução positiva do mercado europeu, onde a procura continua a aumentar, impulsionada pela fidelização dos passageiros e pela entrada de novos consumidores.
De acordo com a associação, cerca de 90% dos passageiros manifestam intenção de repetir a experiência, enquanto aproximadamente 60% regressam a destinos previamente visitados em cruzeiro, prolongando o impacto do turismo para além da viagem inicial.
Na Europa, o número de passageiros aproxima-se dos 9 milhões, sendo o Mediterrâneo o principal destino, concentrando cerca de 45% da procura. Entre os portugueses, esta região lidera igualmente as preferências, seguida das Caraíbas, Bahamas e Bermudas. O perfil do passageiro nacional aponta para uma idade média de 48 anos e viagens com duração média de oito dias.
O impacto económico do turismo de cruzeiros em Portugal atingiu os 940 milhões de euros, contribuindo com 410 milhões de euros para o PIB e gerando cerca de 9.800 postos de trabalho. As compras realizadas pelas companhias de cruzeiros em território nacional representaram 174 milhões de euros, correspondendo a 42% da contribuição total para o PIB do setor. Já os gastos de passageiros e tripulações em terra ascenderam a 150 milhões de euros, beneficiando diretamente os negócios locais.
A nível europeu, o setor continua a demonstrar relevância económica, tendo contribuído com 64,1 mil milhões de euros para a economia e suportado cerca de 445 mil empregos. Deste total, 28 mil milhões de euros correspondem a contribuição direta para o PIB.
Segundo Nikos Mertzanidis, os cruzeiros assumem um papel relevante na ligação entre destinos e viajantes, destacando que os itinerários são planeados com antecedência e em articulação com portos e comunidades locais, permitindo uma gestão mais previsível dos fluxos turísticos.
Os dados indicam ainda que 64% das viagens incluem pernoitas em cidades portuárias e que 70% dos passageiros participam em excursões em terra, refletindo uma procura crescente por experiências mais imersivas. Esta tendência é acompanhada por uma evolução da oferta, com maior foco em itinerários personalizados, contacto com a cultura local e permanência prolongada nos destinos.
No plano industrial, a indústria mantém um ciclo de investimento significativo. Em 2026, a frota dos membros da CLIA deverá receber oito novos navios, representando um investimento de 6,6 mil milhões de dólares. Até 2037, estão encomendadas mais de 60 embarcações, num total estimado de 71 mil milhões de dólares. Atualmente, 57% dos navios encomendados estão equipados com motores multifuel, refletindo a adaptação do setor a novas soluções energéticas.
Este conjunto de indicadores reforça a trajetória de crescimento do turismo de cruzeiros, tanto em Portugal como na Europa, evidenciando o seu contributo para a economia e para a diversificação da oferta turística.