Conflito com o Irão provoca forte quebra nas ligações aéreas entre as Américas e o Médio Oriente
A escalada do conflito com o Irão está a ter um impacto significativo na aviação internacional, com uma redução acentuada das ligações aéreas entre as Américas e o Médio Oriente, segundo uma análise recente das consultoras Mabrian e The Data Appeal Company.
O estudo, divulgado esta terça-feira em Florença, compara a capacidade aérea programada entre 14 de abril e 31 de maio de 2026 — antes e depois do início do conflito — e revela uma quebra particularmente expressiva nos Estados Unidos, com impactos mais moderados no Brasil e limitados no México.
Queda acentuada nos Estados Unidos
As ligações entre os Estados Unidos e o Médio Oriente registaram uma contração de 59,1% na disponibilidade de lugares desde o início da crise. A redução resulta de cancelamentos de rotas e ajustamentos operacionais por parte de várias companhias aéreas.
Entre as transportadoras mais afetadas estão a United Airlines, American Airlines e Delta Air Lines, que suspenderam voos, bem como várias companhias do Médio Oriente que reduziram capacidade.
A Qatar Airways lidera as quebras, com uma redução de 60,5% nos lugares disponíveis a partir de aeroportos norte-americanos. Seguem-se a Royal Jordanian (-23,7%) e a Emirates (-21%), enquanto a Etihad Airways regista uma descida de 18,4%.
Segundo Carlos Cendra, diretor de marketing e comunicação da Mabrian, “a dimensão desta quebra demonstra a sensibilidade das viagens de longo curso à instabilidade geopolítica”, sobretudo em rotas que dependem de operações complexas no espaço aéreo. O responsável destaca ainda o forte impacto no segmento das viagens de negócios, particularmente dependente destes corredores aéreos.
Impacto desigual na América Latina
Embora os Estados Unidos sejam o mercado mais afetado, a análise mostra que os efeitos se estendem à América Latina, ainda que de forma desigual.
No Brasil, registam-se quebras nas principais ligações entre São Paulo e Rio de Janeiro e hubs do Médio Oriente como Istambul, Doha e Dubai. As rotas operadas pela Emirates para o Dubai recuaram 10,2%, enquanto a ligação São Paulo–Doha, da Qatar Airways, sofreu uma quebra acentuada de 57,9%. Já a ligação a Istambul, operada pela Turkish Airlines, caiu 2,3%.
No México, o impacto é bastante mais limitado. Com apenas uma rota direta para o Médio Oriente — operada pela Turkish Airlines — a capacidade registou uma ligeira descida de 3,2%.
Custos e incerteza podem agravar tendência
Para além da instabilidade geopolítica, os especialistas alertam para o impacto do aumento dos custos do combustível, que poderá influenciar a procura e levar a novos ajustamentos na oferta.
Segundo a Mabrian, o aumento dos preços das viagens poderá levar passageiros dos Estados Unidos, México e Brasil a reconsiderar destinos, privilegiando opções domésticas ou regionais mais estáveis e económicas.
A evolução da situação no Médio Oriente deverá, assim, continuar a condicionar a conectividade aérea global nas próximas semanas.