Congresso ADHP: "A sustentabilidade, tal como a hospitalidade, é feita de consistência"
Esta foi uma das afirmações feitas no 2.º dia do XXII Congresso da ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), num painel dedicado ao tema "A evolução da sustentabilidade em hospitalidade". A mesma foi feita por Silvana Pombo, VP Operations da Highgate Portugal, que defendeu desde o início que a sustentabilidade "é um mindset" e que deve ser vista como uma maratona e não uma corrida.

Além disso, concordou que a sustentabilidade nas unidades hoteleiras deve ter standards, ou seja, "uma base para saber que estamos no caminho certo", até porque os hotéis têm orçamentos a cumprir e até os próprios trabalhadores devem ser incutidos com valores sustentáveis, para eles próprios passarem a mensagem.
Silvana Pombo ainda mencionou a importância de envolver a comunidade local na vida de cada hotel, porque nos dias de hoje "o cliente quer conhecer a cultura, vem para conhecer a história, de onde as pessoas vêm". Por isso, "não chega ter um bom quarto, o cliente tem de ter uma experiência".
Também neste painel participou Adriana Jacinto, diretora de Sustentabilidade da Minor Hotels, que afirmou que a liderança é fundamental quando o tema toca à sustentabilidade, esta que deve ser vista como uma "vantagem competitiva", que "leva tempo a construir".
Confirmando que nem todas as empresas estão no mesmo estágio de maturidade nesta temática, "importa ter o compromisso", pois "a sustentabilidade é transversal, independentemente do tamanho da unidade". Todavia, "os grandes hotéis têm responsabilidade acrescida".
Para Adriana Jacinto ficou esclarecido que os hotéis têm de "ser credíveis no mercado dentro deste tema" e que a integração das pessoas locais nas equipas torna o trabalho mais fácil.
Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador dos Hotéis Vila Galé, foi também um dos intervenientes deste painel, começando por dizer que a sustentabilidade também se dá com a abertura de unidades no interior do país e com a recuperação de património, pois a "revitalização está a criar um produto único".
Para este orador, "os trabalhadores dos hotéis são embaixadores naturais" dos destinos, sendo que são residentes da cidade, conhecem o destino e trazem, assim, a autenticidade.
O responsável dos Vila Galé ainda quis deixar explícito que o turismo tem sido "bode expiatório" para vários problemas das cidades, como a falta de habitação, a pouca limpeza das ruas e as difíceis acessibilidades e transportes, frisando que a pressão turística não é generalizada, mas que sim, existem "pontos de pressão" nas grandes cidades como Lisboa e Porto. Para Gonçalo Rebelo de Almeida, tudo depende da "capacidade de resposta da cidade", exemplificando com a criação de mais pontos de atração turística para outros sítios das cidades.
Por fim, relembrou que não se pode "arriscar em demasiada burocracia", pedindo relatórios de sustentabilidade menos complexos. Mesmo assim, não negou a necessidade de existirem métricas para tornar as unidades mais amigas do ambiente.
O Congresso da ADHP decorreu nos dias 5 e 6 de março, em Elvas.
Por Diana Fonseca, em Elvas