Luís Monteiro: “A melhor forma de perder o jogo é não jogar — e na IA não há alternativa”

A inteligência artificial pode parecer complexa ou distante para muitas empresas do setor do turismo, mas a mensagem deixada por Luís Monteiro, responsável na Amazon Web Services (AWS) pelas áreas de Travel, Aerospace e Hospitality na região EMEA, durante a mesa-redonda da V Conferência Smart & Green Tourism, foi clara: não há margem para hesitação. “Não importa se parece difícil ou fácil, temos todos que começar”, afirmou.
Num debate moderado por Miguel Quintas, chairman da AIRMET e do Consolidador.com, que contou também com a participação de Rui Ribeiro, marketing manager da Booking.com em Portugal, a questão central foi precisamente como é que empresas — muitas delas de pequena dimensão — podem dar os primeiros passos na adoção da inteligência artificial.
Começar simples: o primeiro caso de uso
Para Luís Monteiro, o erro mais comum é tentar fazer tudo ao mesmo tempo. A abordagem deve ser progressiva e focada. “A melhor maneira de começar é escolher um caso de uso simples”, explicou, apontando como exemplo a criação e otimização de conteúdos.

Segundo o responsável da AWS, tarefas que antes demoravam horas — como a descrição de produtos turísticos — podem hoje ser realizadas em segundos com recurso a inteligência artificial. “O que demorava 8 a 12 horas hoje demora 10 segundos”, referiu.
Antes de investir em sistemas complexos, as empresas devem olhar para aquilo que já têm: os seus próprios dados.
A recomendação passa por melhorar a qualidade e o detalhe da informação sobre produtos, serviços e destinos, tornando-os mais visíveis para plataformas e sistemas de inteligência artificial. “Temos que nos posicionar melhor para sermos descobertos pelos agentes de terceiros”, explicou.
Outro dos pontos destacados foi a democratização da tecnologia. Hoje, segundo Monteiro, já não é necessário ter grandes equipas internas para desenvolver soluções avançadas. “Há startups que conseguem resolver problemas que antes demoravam anos, agora em semanas ou dias.”
A utilização de plataformas cloud permite reduzir drasticamente os custos de entrada. “O CAPEX caiu exponencialmente — hoje o acesso à tecnologia está muito mais democratizado.”
No final, a mensagem foi direta e dirigida a todo o setor: “A melhor forma de perder o jogo é não jogar. E a segunda melhor forma é jogar à defesa.”
Num contexto em que a cadeia de valor do turismo está a ser redesenhada pela tecnologia, ficar parado pode significar perder relevância no mercado.
Por Inês Gromicho e Pedro Chenrim. Fotos Raquel Wise/Ambitur