30 de Abril de 2026, Olá!

Madeira de mãos dadas com a TAP e a easyJet

Madeira de mãos dadas com a TAP e a easyJet
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Num destino insular como é a Madeira, fortemente dependente do transporte aéreo para se ligar a outros territórios, a Ambitur foi ouvir as duas companhias aéreas com maior peso na região. Nuno Sousa, diretor de Vendas da TAP, e José Lopes, country manager para Portugal da easyJet, explicam-nos qual a importância da Madeira para as suas operações, os desafios que o destino lhes coloca e de que forma é possível potencializar o futuro do turismo no arquipélago.

A TAP e a easyJet são atualmente, as duas principais companhias aéreas a ligar Portugal Continental ao arquipélago da Madeira. Para a TAP, que voa para este destino há mais de 60 anos, trata-se de uma operação que se destaca pela sua regularidade, continuidade e integração estratégica na rede da companhia. Nuno Sousa, diretor de Vendas da TAP para Portugal e África, refere que, além de a transportadora assegurar a ligação com o território continental português, também se posiciona como “um facilitador de acessos internacionais, promovendo a Madeira como destino global, de forma consistente, nos mercados em que operamos”. O responsável frisa que o número de frequências diárias, os equipamentos utilizados, os horários otimizados para conexões e o apoio ao turismo regional “refletem o nosso compromisso com a região”.

A easyJet “só” voa para a Madeira desde 2007, ou seja, há precisamente 18 anos, mas a verdade é que o country manager da companhia para Portugal não hesita em dizer que se trata de um mercado estratégico. Em primeiro lugar, aponta a “intensidade e profundidade do compromisso”, realçando que não se trata aqui de rotas esporádicas mas de uma operação sustentável com capacidade crescente, frequência elevada – cerca de 24 voos por dia no verão – e cobertura ampla entre o Funchal, o Porto Santo e Portugal Continental. Por outro lado, recorda que a Madeira beneficia de uma densidade de rotas internacionais relativamente superior a outros destinos de lazer: no verão de 2025, a easyjet operou 14 a 15 rotas para mercados-chave como a Alemanha, França, Suíça, Reino Unido e Países Baixos, além das domésticas. O responsável acredita que “esta diversidade de mercados emissores torna a operação mais resiliente e atrativa para diferentes perfis de turistas”. Além disso, José Lopes sublinha que, comparada a destinos menores ou secundários, “a operação na Madeira tem escala, relevância e protagonismo estratégico”. E recorda que o destino tem uma vantagem operacional: “há consistência, expansão de capacidade ano após ano e introdução de novas ligações, algo que realça o papel prioritário desta operação no portefólio da companhia”.

A importância do hub em Lisboa

Tanto a TAP como a easyJet reconhecem a importância do hub em Lisboa. José Lopes explica que esta base fortalece significativamente toda a operação para a Madeira, permitindo a concentração de tráfego e a otimização de recursos. E detalha que os voos domésticos (Lisboa-Madeira) garantem volumes elevados e regulares que alimentam a rede internacional a partir de Lisboa, permitindo uma maior conectividade com mercados europeus através do modelo 'hub-and-spoke'. “Esta situação melhora a eficiência operacional (gestão de escalas, manutenção, tripulações) e reduz os custos unitários”, adianta o entrevistado. Além disso, operar exclusivamente no Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa simplifica a experiência do passageiro, admite, facilitando as ligações, as escalas e a integração da rede. “Mas a principal relevância do trabalho que a easyJet tem feito na Madeira é o desenvolvimento de rotas internacionais diretas de e para o Funchal, permitindo que as pessoas não sejam obrigadas a fazer escala nas suas viagens de e para a ilha”, conclui o responsável.

Nuno Sousa garante que o hub da TAP em Lisboa “é um pilar fundamental para potenciar a conectividade da Madeira com o mundo”, possibilitando uma “articulação eficiente” com mais de 90 destinos da rede da companhia, oferecendo à Madeira acessos facilitados a mercados internacionais e reforçando a sua posição como destino turístico de excelência. “Esta vantagem competitiva é particularmente relevante para os mercados emissores de longo curso, como por exemplo, os EUA ou o Canadá, que se encontram no Top 10 de emissores para o Funchal”, exemplifica.

TAP: Mais passageiros em 2024 e novo crescimento este ano

Nuno Sousa, TAP

Os últimos cinco anos de operações aéreas da TAP para a Madeira têm sido estratégicos e consistentes. Nuno Sousa explica que, apesar dos desafios da pandemia, a companhia aérea portuguesa registou uma recuperação sólida a partir de 2022, com níveis de ocupação em constante crescimento e uma forte retoma da procura, especialmente no segmento turístico. Este é, alias, o predominante nestas operações, motivado pela “beleza natural, a oferta cultural, a ausência de sazonalidade e a reputação da Madeira como destino seguro e acolhedor”. Se bem que o responsável observa uma procura relevante também no segmento de viagens de negócios.

Em fevereiro de 2022, a TAP criou a ponte aérea com a Madeira, o que se traduziu na oferta de um produto com “maior flexibilidade e competitividade”, descreve o diretor de Vendas. E garante que indicadores como “o número de passageiros transportados, frequência de voos e taxa de ocupação, têm vindo a demonstrar um desempenho robusto, sublinhando a importância da Madeira na rede da TAP”.

Já no verão de 2024, a companhia retomou a rota direta Funchal-Caracas, celebrou os 60 anos de operação de Lisboa-Funchal e, este verão, iniciou a sua operação direta Funchal-Faro.

No ano passado, as ligações entre a Madeira e o Continente também registaram um aumento no número de passageiros, com 983 mil pessoas a viajar com a TAP, ou seja, mais 3,3% do que em 2023. “Tudo indica que, em 2025, voltaremos a crescer face ao ano anterior”, regista Nuno Sousa.

Este ano, a operação da TAP para o arquipélago da Madeira manteve-se sólida, com várias conexões diárias de Lisboa e Porto para o Funchal, além da ligação diária Lisboa-Porto Santo, no verão IATA. O responsável comercial esclarece que, sempre que é necessário, e possível, a companhia ajusta a sua oferta recorrendo a frequências adicionais em períodos de maior procura ou ao aumento de número de lugares disponíveis usando equipamentos com maior capacidade.

Além disso, ainda em 2025, a TAP reforçou a conectividade internacional através do hub de Lisboa, permitindo que passageiros oriundos de mercados estratégicos — como Alemanha, Espanha, França, Brasil e Estados Unidos — cheguem à Madeira com facilidade, contribuindo assim, diz Nuno Sousa, para a diversificação da procura turística.

Contas feitas, a rota Lisboa-Funchal assume-se como a segunda rota com mais frequências na rede TAP, registando um total de 51 frequências semanais no inverno IATA 25/26.

José Lopes, easyJet

easyJet: Mais de 10,5 milhões de passageiros desde 2007

Já a easyJet reforçou a sua conectividade interna e internacional, expandindo não só a capacidade como também lançando novas rotas e consolidando frequências. José Lopes afirma que nesta operação para a Madeira foram introduzidas novas ligações como Luton-Funchal (dois voos semanais), Funchal-Nantes (desde 30 de março) ou Funchal-Amesterdão (dois voos semanais). Mas também as rotas domésticas para o Funchal e Porto Santo foram alvo de um reforço este ano.

A companhia aérea já transportou, nos últimos cinco anos, mais de 10,5 milhões de passageiros desde 2007. E reforçou a operação com cerca de 24 voos diários no verão e uma capacidade de 1,5 milhões de lugares (+15% face a 2025). O responsável aponta que, só nas rotas domésticas Porto/Lisboa-Madeira, a easyJet disponibilizou este verão mais de 587 mil lugares (+13% face a 2024), às quais se juntam 14 a 15 rotas internacionais para Alemanha, França, Reino Unido, Países Baixos e Suíça.

O country manager para Portugal admite que o segmento turístico se destaca nas operações da easyJet para a Madeira, um foco que também é visível na oferta de pacotes da easyJet Holidays que, em 2025, registou mais de 15 mil clientes com reservas na Madeira, com estadias médias de sete noites e um portefólio de cerca de 80 hotéis. “Este é um sinal claro de que o turismo é o motor da procura”, frisa José Lopes.

O peso do mercado português

Nesta procura para a Madeira, o mercado português continua a ser preponderante. Na easyJet, este peso é evidente pelo volume e pela sua função estratégica. José Lopes recorda que as rotas domésticas Lisboa-Funchal e Porto-Funchal representam alguns dos eixos mais robustos da companhia em Portugal, assegurando não só a mobilidade dos residentes, como também uma parcela significativa do turismo interno. E detalha que, só este ano, estas ligações disponibilizam mais de 587 mil lugares no verão, um aumento de cerca de 13% face ao ano anterior, “o que reforça o papel do mercado nacional como verdadeiro motor da procura”. Adicionalmente, José Lopes garante que “a easyJet é atualmente a companhia líder nas rotas Funchal–Porto e uma das principais operadoras nas ligações Lisboa–Madeira, demonstrando a relevância destas ligações domésticas para o equilíbrio da rede”. Em simultâneo, o mercado nacional funciona como porta de entrada e de saída para outros destinos europeus, com Lisboa, Porto e Faro a operarem como bases estruturais da companhia, acrescenta. Isto significa que, além da procura local, a Madeira beneficia do efeito 'hub-and-spoke', em que passageiros internacionais viajam através de Portugal continental para o arquipélago. Assim, diz o entrevistado, “o mercado nacional destaca-se não só pelo seu volume direto, mas também pela capacidade de gerar conectividade adicional, fortalecendo o posicionamento da Madeira como destino turístico competitivo e acessível a partir de toda a Europa”.

Também para a TAP o mercado português continua a ser um dos principais motores da operação para a Madeira, especialmente nas ligações Lisboa-Funchal e Porto-Funchal. Mas o responsável adianta que, países como os EUA Espanha, Alemanha, França, Itália, Canadá e Brasil continuam a ser os principais mercados na venda do destino Funchal, impulsionados pelas conexões via Lisboa. Ou seja, “o hub permite-nos captar fluxos de turistas internacionais que, de outra forma, não teriam acesso direto à região, diversificando a base de visitantes”.

As estratégias das companhias para a Madeira

Nuno Sousa indica que, a curto prazo, a estratégia da TAP para a Madeira passa por consolidar a capacidade instalada, otimizar horários e melhorar a experiência do cliente. “Estamos focados em indicadores como a taxa de ocupação, pontualidade, conectividade internacional e a satisfação dos passageiros”. Além disso, a companhia continua a avaliar oportunidades para reforçar frequências em épocas de elevada procura, de forma sustentável e alinhada com a estratégia turística nacional.

O diretor de Vendas da TAP não tem dúvidas do “enorme” potencial turístico da região, incluindo Porto Santo, e acredita que surgirão novas oportunidades de crescimento e de desenvolvimento desse potencial. “A TAP continuará a contribuir, através de todas as ações de promoção que desenvolve e apoia, de que são exemplo os apoios a press e fam trips, que projetam a Madeira no mundo, para elevar e qualificar a procura do destino”, conclui.

Também José Lopes reconhece o “potencial muito elevado de crescimento sustentado da procura para a próxima década” deste destino. E junta a este dinamismo a estratégia da easyJet, que aponta para um maior crescimento da operação já no próximo ano. “Aliado às perspetivas globais de crescimento da aviação, este enquadramento confirma que a Madeira reúne condições excecionais para manter uma procura turística resiliente e em expansão, desde que acompanhada por um desenvolvimento equilibrado das infraestruturas e da oferta local”, defende o responsável.

Voltando à estratégia, a curto prazo a easyJet pretende reforçar a sua capacidade para a região, bem como diversificar rotas e consolidar frequências. José Lopes adianta que, para o primeiro semestre do ano fiscal de 2026, a companhia prevê um crescimento de 10% da atividade na região, recordando a capacidade do aeroporto para crescer.

Os desafios da região

Apesar da previsão de crescimento do turismo no arquipélago da Madeira, há desafios pela frente. A TAP identifica como principais a necessidade de continuar a investir na diferenciação da oferta turística, na sustentabilidade ambiental e na gestão equilibrada da capacidade hoteleira e aeroportuária. Por outro lado, Nuno Sousa recorda que é essencial “garantir competitividade no custo operacional da aviação, bem como promover o destino de forma coerente e estratégica junto dos mercados internacionais”.

Abordando a temática da sustentabilidade, o diretor de Vendas da TAP defende que esta deverá estar no centro da estratégia aérea da Madeira, apontando como fundamentais investimentos em frotas mais eficientes, uso de combustíveis sustentáveis (SAF), otimização de rotas e operações aeroportuárias mais verdes. “A Madeira pode desempenhar um papel ativo ao promover práticas sustentáveis no setor turístico”, justifica.

Já no que diz respeito ao futuro da aviação, marcado também por uma maior exigência em termos de sustentabilidade e eficiência, Nuno Sousa considera que a Madeira poderá beneficiar de uma abordagem mais personalizada e orientada para a experiência do passageiro. E defende que “o posicionamento futuro deverá considerar também a digitalização e a inovação como alicerces essenciais”.

Já José Lopes acredita que o futuro da aviação mundial fará com que a estratégia comercial da Madeira seja, cada vez mais, uma parceria com companhias como a easyJet, “que acreditam no destino e apostam no desenvolvimento de ligações diretas, criando riqueza para a região de forma equilibrada”. E vai mais longe: “A Madeira, se quiser continuar a afirmar-se como um destino e um arquipélago que oferece conectividade direta à sua gente, tem que assumidamente soltar-se das amarras da dependência de hubs no continente e apostar por crescer de mão dada com companhias que partilham com a região essa vontade”. A sustentabilidade ambiental é um eixo central para o futuro da aviação e, no caso da Madeira, o responsável garante que deve ser vista como uma oportunidade estratégica.

O country manager da easyJet para Portugal aponta dois grandes desafios que a região tem de ultrapassar. Os custos de operação são o primeiro: “Os custos de operar num aeroporto que tem um nível de irregularidade tão elevado como é o caso do Funchal, representa um entrave ao desenvolvimento do número de operações, uma vez que acresce custos e incerteza comparativamente com a operação para destinos alternativos”. O segundo desafio prende-se com a necessidade de continuar a renovar e diversificar o destino, com enfoque na elevada relação qualidade/preço para permitir “crescimento sustentável do turismo, mantendo o arquipélago com as suas características únicas, que o diferenciam de forma positiva de outros destinos”.

*Por Inês Gromicho. Este texto foi publicado na edição 355 da Ambitur